“Tem que aproveitar tudo: as aulas, os trabalhos, os momentos de convivência”

Wagner Aragão

Wagner de Alcântara Aragão

Formado na turma de 1999, Wagner de Alcântara Aragão mora em Curitiba, onde atua como professor de Produção de Áudio e Vídeo e jornalista freelancer. Suas melhores lembranças do período da FACOS são do Agência Facos, do Mural, do Jornal Entrevista e da disciplina de Radiojornalismo.

Que viagem é este blog! Não é uma viagem apenas no tempo, é uma viagem a um tempo e um lugar. E, no meu caso, para um lugar que fisicamente não existe mais. Fiz Jornalismo na UniSantos quando o curso, da Faculdade de Comunicação Social (FACOS), funcionava ali na Rua Euclides da Cunha. Estudei de 1996 a 1999 – a formatura foi em 2000.

Tão logo me formei consegui emprego em Curitiba, onde estou radicado até hoje. A família, e o coração, estão em Santos, de modo que frequentemente estou na cidade. Assim, anos atrás, tomei um susto quando passei pela Euclides da Cunha e não vi mais o prédio ali. Tudo derrubado, na chón, como diria a famosa personagem de novela.

Foi como se um pedaço dos meus sentimentos tivesse ido abaixo também. Hoje estou que nem o André Argolo contou aqui no blog: não consigo mais passar por aquele trecho da Euclides da Cunha. Chego à Igreja da Pompeia e viro à direita, como se uma sinalização de conversão obrigatória existisse naquele ponto.

Sou obrigado a discordar do grande Julinho Bittencourt que, no seu depoimento neste blog,  disse que, “horroroso”, o prédio fora “merecidamente” demolido. Tudo bem, a edificação talvez não fosse das mais belas. Mas, tinha tanta história naquele espaço. De lá nasceram tantos trabalhos importantes, emergiram tantos talentos… Não, não merecia sumir assim da paisagem.

Se daquela construção de concreto não restaram nem escombros, na memória sobram boas lembranças. O curso de Jornalismo na FACOS foi uma baita escola. A gente vai se dando conta disso aos poucos, com o tempo. Poxa, quando lembro do Agência Facos, dos jornais murais dos Morros e da Zona Noroeste (acho que tinha igualmente um do Centro, para as turmas da manhã; estudei no noturno), do Entrevista… Altas experiências, por sinal cada vez mais raras no mundo do trabalho.

Ah, e como ressaltou a Bárbara Farias, as disciplinas de rádio também me foram marcantes. Até hoje tenho vontade de atuar em rádio, por conta daquela prática. Caramba, era um se virar nos trinta para dar conta de produzir as matérias. Durante os quatro anos de faculdade estudava de noite e trabalhava de dia, na CET-Santos, em turnos que se alternavam. Mó maratona. Cumprida, e bem.

A Thaís Margarido, que foi da minha turma, bem lembrou das entregas dos jornais murais. Ocorriam aos sábados. Nos dividíamos em grupos – uns para a Zona Noroeste, outros para os Morros. Era sensacional chegar nos lugares – estabelecimentos comerciais, sobretudo – e afixar os jornais, receber o retorno dos leitores, da população, cara a cara. E, depois, tinha a confraternização – o “tomar refrigerante”, como disse a Thaís (e cervejinha se tomava também) – no bar em frente à Lagoa da Saudade, no Nova Cintra. Ô saudade!

Termino assinando embaixo o texto de outra colega de turma, a Luciana Lane Valiengo. Ela sugere a quem está no curso agora não desperdiçar as oportunidades. Isso mesmo. Tem que aproveitar tudo: as aulas (e não só as práticas; aliás, as de conhecimento geral são tão importantes quanto; eita, quanta coisa que podia ter aproveitado mais sobre teorias, filosofia, sociologia, antropologia, economia, psicologia…), os trabalhos, os momentos de convivência.

Falar em convivência, em tempo: o campus da Euclides da Cunha tinha pelo menos dois campi extraoficialmente anexos: o bar Texa’s (na esquina com a Piauí) e um outro que, embora até fosse o meu preferido, não me lembro do nome (acho que Manera’s ou Maneira’s, algo assim). Como, àquela época, eu era mais cdf – e não raro trabalhava de madrugada ou de manhã logo cedo – não era daqueles assíduos frequentadores dos campi anexos. De vez em quando, porém, dava umas passadas por lá – afinal, atividades extra-curriculares como aquelas fazem parte da formação.

Jornalista frila e professor do curso de Técnico em Produção de Áudio e Vídeo, do Colégio Estadual do Paraná. Autor do livro “Duas Noites – o re-encontro de Santos com o samba de carnaval”.

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